A ceratopigmentação tem ganhado destaque entre as celebridades, que saem do Brasil para realizar o procedimento.
A influenciadora digital Andressa Urach e a apresentadora Maya Massafera foram assunto nas redes sociais, no último mês, devido a realização de uma cirurgia para mudança da cor dos olhos, a ceratopigmentação, realizada na França. No entanto, esse procedimento não é um recurso estético comum. Pelo contrário: trata-se de uma técnica restrita a casos específicos, geralmente indicados por razões médicas, como em pacientes com cegueira permanente ou baixa visão extrema.
Durante a sua realização, são implantados micropigmentos coloridos nas camadas internas da córnea. A intenção é melhorar a aparência do olho, especialmente quando há manchas brancas decorrentes de lesões, doenças ou complicações anteriores, que podem causar desconforto estético e afetar a autoestima do paciente.
Segundo o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), esse procedimento deve ser considerado apenas em último caso, quando alternativas como lentes de contato coloridas ou próteses oculares não são viáveis ou eficazes.
Nos últimos anos, a busca pelo procedimento de ceratopigmentação, principalmente para fins estéticos, está ficando mais frequente. No entanto, essas técnicas não são regulamentadas no Brasil porque oferecem altíssimo risco para a saúde dos olhos.
Entre as possíveis complicações estão inflamações, infecções, dor crônica, rejeição ao pigmento implantado e até a perda total da visão, especialmente em casos em que ainda há alguma capacidade visual preservada. Além disso, o procedimento é irreversível, ou seja, uma vez realizada a pigmentação, não é possível retornar à condição anterior caso o resultado seja insatisfatório ou ocorra algum efeito colateral. Também há risco de comprometimento da córnea, o que pode demandar intervenções mais complexas, como um transplante.

